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Postagem em Destaque

Jacó: o Grande Empreendedor

Ayin/Shin/Resh A riqueza de Jacó foi planejada pelo próprio. Obviamente, ele teve duas qualidades imprescindíveis para prosperar: generosi...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Judá e o pecado que matou Onan - Gênesis 38.9-10 - Parte I

Mais um texto que deve ser interpretado com a ajuda de conceitos jurídicos que regiam a época dos Patriarcas.

Judá, pai de Onan, era o quarto dos doze filhos homens que Jacó teve. Lia, sua mãe, havia concebido antes, três meninos: Rúben, Simeão, Levi.

O direito à Primogenitura pertencia a Rúben se ele fosse "iminentemente virtuoso" para tomar posse do rico patrimônio de Israel em sua totalidade ( artigo 522, do capítulo XX, do Livro Nono do Código de Manu).


O pecado que fez Rúben perder o direito à Primogenitura (Gênesis 35.22)

Segundo a tradição Talmúdica, após a morte de sua amada Raquel, Jacó colocou sua cama na tenda da serva Bilá. Rúben então removeu-a para a tenda de sua mãe, Lia. Entende-se também que Rúben deitou-se com Bilá, profanando-a e impedindo que Jacó se aproximasse novamente da serva de Raquel. De qualquer forma, essa discussão familiar foi grave a tal ponto de fazê-lo perder os seus direitos de filho mais velho, oficialmente em Gênesis 49.3-4:

"Rúben, tu és meu primogênito, minha força e o início da minha maturidade, primeiro em distinção e primeiro em força. Mas porque tu foste instável como água, tu não serás mais o primeiro. Isso porque tu mudaste as camas de teu pai, cometendo um ato profano. Ele mudou minha cama!"

Simeão e Levi também perderam o direito à Primogenitura:

Segundo e terceiro filhos respectivamente, também perderam o direito à Primogenitura em Gênesis 34 matando covardemente os varões da cidade de Siquém em defesa da honra de sua irmã desflorada, Diná:

"Simeão e Levi são um par (irmãos); instrumentos de crime são suas armas. Que minha alma não entre na trama deles; que meu espírito não se una com a assembléia deles - pois mataram homens com raiva, desmembraram bois com vontade. Maldita seja a cólera deles, pois ela é feroz, e sua fúria, pois ela é cruel. Eu os dispersarei em Jacó, os espalharei em Israel."(Gênesis 49.5-7)

Judá, o quarto filho de Israel, recebeu o direito da Primogenitura, passando a comandar os patrimônios da família, sendo também o participante na sucessão divina da genealogia do Messias:

"Judá, teus irmãos se submeterão a ti. Tua mão estará sobre o pescoço de teus inimigos; os filhos de teu pai se inclinarão a ti. Jovem leão, Judá, tu te ergueste da presa, meu flho. Ele se agacha, deita como um leão, como um temível leão, quem ousará erguê-lo?

O cetro não se afastará de Judá, nem a legislação de seus descendentes."

Quando Jacó proferiu a "benção da herança" antes de sua morte, todos estavam no Egito, em dificuldades financeiras por conta da seca e aos cuidados de José (Gênesis 47.28). Mas Judá,
extra oficialmente já havia recebido o prêmio de Primogênito.

Assim, ao se distanciar da confusão com seus *irmãos após a venda de José ao Egito, e se casar com a filha de um mercador cananeu (Gênesis 38.1) , Judá já era considerado um Príncipe, o verdadeiro herdeiro de Israel.


(continua)
* tramavam a morte de José porque percebiam juridicamente a possibilidade de transferência do direito à Primogenitura para ele, filho mais velho de Raquel, já que os filhos mais velhos de Lia não estavam aptos; a manta dada por Jacó e os sonhos de José reforçaram essa teoria.
link sobre Primogenitura:
Países que ainda adotam a Lei Primogenitura:

"Primogenitura (ou mais apropriadamente primogenitura masculina) é um mecanismo através do qual os descendentes do sexo masculino de um soberano têm precedência sobre descendentes do sexo feminino, e onde as linhagens mais antigas têm precedência sobre as mais jovens, em cada género. Os filhos mais velhos têm sempre precedência sobre os filhos mais novos. Os filhos mais jovens têm sempre precedência sobre as filhas mais velhas. O direito das sucessões pertence sempre ao filho mais velho do soberano reinante (ver herdeiro aparente), e, depois, para o filho mais velho do filho mais velho. Este é o sistema utilizado no Reino Unido, Espanha e Mónaco.
Outros membros com títulos nobiliárquicos seguem esse sistema de filhos e filhas, mas são considerados iguais como co-herdeiros, pelo menos na prática na Bretanha moderna. Isto pode resultar na condição conhecida como suspenso. No período medieval, a prática efectiva variava consoante os locais e costumes. Embora as mulheres pudessem herdar casas senhoriais, esse poder era geralmente exercido pelos seus maridos (jure uxoris) ou pelos seus filhos (jure matris).

Primogenitura absoluta ou igualitária
A primogenitura igualitária (ou primogenitura absoluta) é uma lei em que o filho mais velho do soberano sucede ao trono, independentemente do sexo, e onde mulheres (e seus descendentes) gozam dos mesmos direitos de sucessão como do sexo masculino. Este é actualmente o sistema na Suécia (desde 1980), Países Baixos (desde 1983), Noruega (desde 1990) e Bélgica (desde 1991). Foi proposto mudar a linha de sucessão ao trono britânico para a primogenitura absoluta em 2004.
Prof.ª Gláucia Vilela

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

O Segredo da Felicidade está em Salmos 1

(Felicidades) אַשְׁרֵי
הָאִישׁ  (do homem)
 אֲשֶׁר לֹא הָלַךְ בַּעֲצַת רְשָׁעִים וּבְדֶרֶךְ חַטָּאִים, לֹא עָמָד וּבְמוֹשַׁב לֵצִים לֹא יָשָׁב. 2 כִּי אִם בְּתוֹרַת יְהוָה חֶפְצוֹ; וּבְתוֹרָתוֹ יֶהְגֶּה יוֹמָם וָלָיְלָה
Educadores recomendam que a melhor forma de livrar os jovens e adolescentes da rebeldia é zelar por suas companhias. A imaturidade os inclina a selecionar, admirar e seguir os conselhos de amigos de influência engraçada e forte que trazem os enganosos encantos do mundo.

A introdução de Tehilim completa que o homem é educado pelas suas companhias e pela leitura da Torá. Se a fórmula da felicidade e da prosperidade está em seguir esses dois passos, por que tem muito gente insatisfeita com a vida?

A resposta está no texto: a recompensa vem em tempo próprio.

Os resultados não são instantâneos, e muitas vezes parecem que não serão colhidos quando vemos a rapidez com que os ímpios prosperam. A comparação com a árvore implantada próxima a correntes de águas lembra daquelas que demoram mais de dez anos para frutificarem, mas suas folhas são vistosas mesmo assim.

Todos os Salmos, menos trinta e quatro deles, são antecedidos por um título, por exemplo:

1. "Um Salmo de David...." em tal situação (ocorre em 73 Salmos) ou "Uma prece de David." (Salmos 17);

2." Uma prece do homem aflito quando desfalece e emana sua súplica diante do Senhor" (Salmos 102);

3. Indicando um direcionamento do texto, "Para o condutor..."; " Um maskil para Eitan.." (Salmos 89)

4. Citando a autoria: "Um Cântico de Assaf" (introduz doze Salmos), "Uma prece de Moisés..." (Salmos 90); dos "filhos de Coré" ( introduz doze Salmos); de "Salomão" (introduz dois) ;

5. Informando o objetivo do texto: "Um cântico com acompanhamento musical para o dia de Shabat" (92).


Salmos 1 não tem frase introdutória, porque ele é a introdução dos 150 Salmos.
Salmos 2 não tem frase introdutória porque pode ser continuação de Salmos 1 ou porque é a introdução da primeira das cinco divisões do Livro de Salmos, isto é, ele pode ser a introdução dos Salmos 3 a 41.

Essas introduções são antigüíssimas, antecedem à Septuaginta, mas não pertencem ao texto original. Elas são dignas de consideração porque fazem parte de antiga tradição judaica que estudou e dividiu Tehilim em cinco partes, cada uma correspondendo a cada livro do Pentateuco.

A tradução para Salmos 1.1-2:

"Felicidades,

v.1 O homem feliz não andou em reunião de malvados, (ou "as Felicidades do homem")

(e) no caminho de pecadores (fracassados) não parou,

e na *morada de **maldosos não habitou (sentou).


v.2 Já que na Lei (Torá) do Senhor está seu desejo (querer) e na Sua Lei
medita (corrige erros) dia e noite."


*morada - a palavra hebraica "moshav" descreve também uma sede, assento ou um tipo de colônia agrícola cooperativa".

**maldosos - a palavra hebraica "letzim" é também traduzida para "palhaços".

Observe os verbos no tempo completo (pret. perf.) no v.1 e incompleto no v.2.


Prof.ª Gláucia Vilela


Bibliografia

Tehilim - Salmos Tradutores: Adolph Wasserman & Chaim Szwertszarf; McKlausen Editora; RJ.

Dicionário Hebraico- Português, Português- Hebraico; Abraham Hatzamri & Shoshana More-Hatzamri; 2ª ed.Sefer;SP.

Comentário Bíblico Moody, Volume 5; Charles F. Pfeiffer e Everett F. Harrison; IBR; SP.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Esaú e Jacó - Como se vende uma Primogenitura?

(Imagem: Faboarts)
Segundo as leis que dominavam o mundo antigo, Esaú teria o direito de dominar sobre os bens de Isaac, segundo a Sucessão Hereditária, pois era o primogênito:

"Art.522. Mas , o mais velho, quando ele é eminentemente virtuoso, pode tomar posse do patrimônio em sua totalidade; e os outros irmãos devem viver sob sua tutela, como viviam sob a do pai." (Código de Manu, Nono Livro, XX).

Cabe aqui ressaltar novamente, que a Lei de Moisés ainda não havia sido organizada, e que os povos do mundo antigo tinham que ter códigos de comportamento para se organizarem como sociedade, com direito a tribunais e juízes para fazê-los cumprir.

A Lei da Primogenitura, muito bem exemplificada no episódio da "venda" entre Esaú e Jacó em Gênesis 25. 24-34, reflete a influência forte de antigos códigos orientais sobre as leis da boa convivência entre os patriarcas de Israel.

" Então disse Jacó: Vende-me hoje a tua primogenitura." v.31

A primogenitura significava o direito de posse, domínio e decisão sobre o futuro das propriedades da família para o filho mais velho.

Esaú agiu de forma incoerente desprezando esse direito, mas bem sabia que para que o "negócio" fosse realmente fechado, teria que ter a aprovação e benção do pai.

Se Esaú recebesse a benção de primogênito, o negócio com Jacó seria claramente desfeito.
O que ele não contava era com o plano arquitetado de sua mãe para desviá-la para o seu irmão mais novo.

Muitos criticam a atitude de Rebeca, mas Esaú havia se casado com mulheres estrangeiras,
pondo em risco os bens da família, podendo fortalecer as propriedades de nações pagãs, ao invés de expandir as heranças dos israelitas. As mulheres que eram "amargura de espírito" (Gênesis 26.35) para Isaac e sua esposa tinham grande influência sobre Esaú a tal ponto de prejudicar até a herança de Jacó.

Portanto, Rebeca agiu em defesa das propriedades da família.

O que constitui a benção de Primogênito?

Está bem claro nas palavras de Isaac para Jacó em Gênesis 27.29
"... sê senhor de seus irmãos, e os filhos da tua mãe se encurvem a ti."

Com ela o filho mais velho manda e desmanda em tudo, e comanda a divisão dos bens após a morte do patriarca, podendo deixar os irmãos sem nada.

Um final intrigante e lindo:

Depois de muita confusão e tempo, ninguém mais precisava do dinheiro do pai.

Quando Isaac morreu, Jacó não precisava mais das riquezas que o seu direito à Primogenitura lhe concedia, apenas impediu que Esaú dominasse sobre tudo com a influência de suas esposas.

Quando se reencontraram em Gênesis 33, os dois irmãos eram tão ricos que o patrimônio do pai
ficou pequeno diante de sua fortuna:

"Mas Esaú disse: Eu tenho bastante, meu irmão; seja para ti o que tens." v.9

E Jacó devolveu a benção de seu pai para Esaú:

"Toma, peço-te, a minha benção, que te foi trazida; porque D'us graciosamente ma tem dado; e porque tenho de tudo." v.11

Assim fizeram as pazes.


Prof. Gláucia Vilela.
Obs: A Lei de Moisés anulou a instituição da Primogenitura, mantendo para o primogênito apenas um privilégio: receber tudo em dobro.
.A Torá Viva- Anotado por Rabino Aryeh Kaplan, Editora Maayanot,2003,SP.*
2.Dicionário Português-Hebraico/Hebraico Português - Abraham Hatzamri e Shoshana More-Hatzamri - 2ª edição,Sefer,2007, SP.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Por que Abrão saiu de Ur? (conclusão)




No mundo antigo existiam leis que regiam a sociedade antes da elaboração das leis de Moisés.


No Museu do Louvre, em Paris, está uma estela (pedra vertical com inscrições) que contém uma das leis mais antigas da história do mundo antigo: o Código de Hamurabi. Embora não esteja em Bagdá, esse achado arqueológico é citado no Museu Virtual do Iraque pela sua importância e porque foi encontrado em escavações na cidade de Susã, antiga capital da Pérsia.


Havia uma lei que exerceu grande influência na vida dos patriarcas. A Lei de Primogenitura bem explicada no Nono Livro do Código de Manu, que foi elaborado com influências de leis mais antigas do Código de Hamurabi e do código hebreu, (Da Sucessão Hereditária, capítulo XX, artigos 521 a 636) dita: "Mas, se o mais velho, quando ele é eminentemente virtuoso, pode tomar posse do patrimônio em sua totalidade; e os outros irmãos devem viver sob sua tutela, como viviam sob a do pai."(art.522)..."o filho mais velho deve ter tudo." (art.523).

Terá teve três filhos: Abrão, Naor e Harã, que faleceu, mas deixou um filho, Lot. (Gênesis 11.27-30)

Abrão era o primogênito e desde pequeno foi preparado para administrar os bens da família. Mas após casar-se, descobriu que Sarai, seu grande amor, era estéril. Além do desapontamento de toda a expectativa sobre ele, havia uma ameaça ao patrimônio familiar, pois um "homem se torna pai e paga sua dívida para com seus antepassados."(art.523). Isso quer dizer que Abrão só poderia chefiar as posses de Terá se tivesse um filho.

Atos de amor na família de Abrão

1.Abrão recusou a opção de casar-se com outra mulher para gerar um filho porque amava muito a Sarai;

2. Terá amava muito a Abrão, pois além de respeitar a sua decisão de não se casar com outra mulher, abandonou Ur dos Caldeus em busca de riquezas para o seu primogênito, deixando o seu patrimônio com Naor, o segundo sucessor da herança por lei;

3. Terá amou a Lot, e não abandonou também o seu neto órfão, fadado a morrer pobre.

4. Abrão compreendeu perfeitamente a abnegação de seu pai, que na velhice saiu de sua terra para incentivá-lo a buscar novas formas de montar um patrimônio próprio;

5. Terá faleceu em Harã, lançando Abrão num túnel de profunda tristeza e desamparo.
(Gênesis 11.32)

O chamado de Abrão ocorreu após a morte de seu pai Terá (Gênesis 12.1), e além de agir como um consolo foi a substituição da promessa de um pai terreno pela Promessa de um Pai celestial,
D'us Único (Echad).

Profª. Gláucia Vilela

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Chanuká e o Milagre do Azeite



Chanuká 2009 / 5770
11-18 de dezembro, 2009 – 25 de Kislêv - 2 de Tevet




No dia 11 de dezembro de 2009 foi acessa a primeira vela da Festa das Luzes no mundo israelita. É tempo de Chanuká!


"Hanu" quer dizer "descansaram", se referindo aos Macabeus após as batalhas no "cá" , 25º dia de Kislev.


A história dessa festividade relembra os tempos em que Antíoco, rei da Síria, governou a Terra de Israel, após a morte de Alexandre, o Grande. Seu governo foi marcado pela exigência de que todos os judeus seguissem a cultura greco-helenista, proibindo-os de cultuarem ao D'us de Israel e forçando-os a idolatrarem os deuses pagãos.


Daniel, à beira do rio Hidequel, no exílio babilônico, foi avisado desses acontecimentos por um "homem" vestido de linho com lombos cingidos de ouro fino (Daniel 10.4).

O mundo do profeta estava passando por um período de transição do domínio Babilônico para o domínio Persa. O povo de Israel não sabia o que ocorreria com eles e muitos se desviaram das leis da Torah.

O que o D'us queria que Daniel soubesse é que Israel ainda sofreria com uma sucessão de guerras e disputas de reis no mundo, retratada no capítulo 11. Após o domínio persa, eles ainda passariam pelo governo grego, que seria repartido e disputado pelos reino do Norte(Síria) e Sul (Egito), através de líderes corruptos e maus.


Antíoco, foi um desses reis, que profanou o Templo reconstruído, proibiu "o sacrifício contínuo, estabelecendo a abominação desoladora" (Dn11.32).


A mensagem de esperança estava "no povo que conhece ao seu D'us" que "se tornará forte e fará proezas" (Dn11.32). Mas nessa época difícil, "os entendidos ensinarão a muitos", mas também passariam por grandes lutas "para serem provados, purificados, e embranquecidos, até ao fim do tempo..." (Dn11.35).

Em 165 AC, os Macabeus, corajosos lutadores oriundos de uma família de muita fé, os Chashmonaim, apesar do antagonismo esmagador, saíram vitoriosos de uma batalha travada contra o inimigo. O Templo Sagrado, violado pelos rituais greco-pagãos, foi novamente purificado e consagrado. A Menorá (candelabro) foi reacesa com o azeite puro de oliva, descoberto no Templo. A quantidade de azeite encontrada era suficiente para manter as luzes acessas por um dia, mas milagrosamente durou 8 dias, até que um novo óleo puro pudesse ser produzido e trazido ao Templo. Em lembrança destes milagres comemoramos Chanucá durante oito dias.


A imagem acima foi retirada do link http://www.myspace.com/111632217,
e retrata o costume de se comer sonhos em Chanuká, porque precisam de óleo/azeite para serem cozidos.


Profª. Gláucia Vilela


terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Por que Abrão saiu de Ur?


Hawkes, Nigel, Structures, Macmillan, New York, 1990. Newhouse, E. L., ed., The Builders, The National Geographic Society, Washington, D.C., 1992

As fotos acima são de um zigurate ao deus da lua Nanna, encontrado na região da antiga Ur.

Ur era considerada umas das cidades mais prósperas e desenvolvidas da Suméria.
"Se a cidade que D'us disse a Abrão para deixar era grande, o lar que ele deixou prá trás parece ter sido menos que religioso. Poderia supor que Terá fosse um homem crente, que educou seu filho, Abrão, para crer num único D'us, diferente das pessoas de seus dias, mas isto não foi bem assim. Josué, em suas palavras de despedida no final de sua vida, nos dá uma compreensão melhor do caráter de Terá:
Então, disse Josué a todo o povo: Assim diz o Senhor, D'us de Israel: Antigamente, vossos pais, Terá, pai de Abraão e de Naor, habitaram dalém do Eufrates e serviram a outros deuses. (Josué 24:2)
Podemos então dizer que Terá foi idólatra, tal como aqueles de seus dias. Não é de se estranhar que D'us ordenasse a Abrão para deixar a casa de seus pais (Gênesis 12:1)."

E por que Abrão abandonou os deuses de Ur para ouvir, crer e obedecer a voz do D'us Único ("Echad")?
Recomendo antes, para melhor compreensão sobre a terra natal de Abrão , fazer uma visita virtual ao Museu do Iraque :
(ligue o som)

Uma boa interpretação da mensagem bíblica inclui a compreensão do contexto histórico e econômico da época em que os pais da fé viveram.
Para descobrir a resposta de nossa pergunta, vou destacar dois achados arqueológicos de Ur e cidades vizinhas, por isso, faça o seguinte roteiro no museu:
1.Na página central dos Halls entre no Hall Pré-Histórico. Encontramos à esquerda a estatueta de uma figura feminina. À ela está associado um vídeo que fala sobre a arquitetura das casas na época e sua vinculação à religiosidade. Essa imagem foi encontrada em Ur (veja descrição, terceira estatueta ao fundo) e é uma espécie de amuleto, representando uma enfermeira-deusa com um bebê no colo. Os riscos em seu ventre enaltecem os seus poderes na área da fertilidade.

2. Volte ao hall central e entre no Hall Sumeriano. Ao fundo vemos um mapa e a primeira obra à esquerda é um frizo encontrado em um santuário de Tell al-Ubaid, zona urbanizada por reis da dinastia de Ur. Ele retrata homens numa espécie de fábrica de iogurte ou queijo. Naquela época o leite e os bezerros, representados à direita da escultura, eram símbolos de fecundidade e bençãos na família.
Criado em um ambiente em que se cultuava tanto aos deuses da fertilidade, Abrão tinha um grande problema, Sarai, a mulher que ele tanto amava, era estéril.
A religiosidade de Ur passou a oprimir Abrão, daí a sua primeira decepção com os deuses de sua terra natal.
Essa é primeira pista para responder a nossa pergunta. A segunda dica, é a seguinte: Abrão, era primogênito de Terá, e este tinha terras e propriedades em Ur. Naor, segundo filho de Terá, permaneceu na cidade. (Gênesis 11.26-31).

Com a resposta, veremos um linda história de amor entre pai e filho, e repetidos atos de compaixão e solidariedade entre os membros da família de Abrão.
Boa pesquisa!
Sobre a cidade de Ur, visite também o link:
(continua) Gláucia Vilela

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Gafanhoto comestível

O gafanhoto pertence à mesma ordem dos grilos e locustas. Alimentam-se exclusivamente de vegetais e era permitido aos hebreus se alimentarem deles. Conforme Levíticos 11.22, eram considerados espécie pura para consumo. Constituem fonte de proteína facilmente encontrada pelos moradores no deserto.
Apesar de ser um alimento repudiado na cultura ocidental, hoje, em certos lugares, como por exemplo no vale do Jordão, Gileade, Arábia e Marrocos, são considerados uma comida apetitosa.
João Batista alimentava-se no deserto desses insetos, juntamente com o mel, outra fonte de energia encontrada nos lugares estéreis por onde passava (Salmos 81.16 e Lc 1.80).

Abaixo um vídeo de uma degustação de um prato típico da África, onde eles estão secos. Na China eles são vendidos em espetinhos fritos.



Prof.ª Gláucia Vilela


Fonte:
A Torá Viva; anotado por Rabino Aryeh Kaplan; Ed. Maayanot, 2ª ed.,2003
Dicionário Bíblico -Editora Didática Paulista, SP.
Comentário Bíblico Moody - Volume 4, Charles F. Pfeiffer & Averett F. Harrison, IBP, 1990.