Trata-se de Juízes 11.30-40 onde Jefté realiza um voto de holocausto que recaiu sobre a sua primogênita.
Jefté era filho de uma prostituta. O seu pai, Gileade, era casado e tinha filhos mais velhos que o repeliram para não ter que dividir a herança com mais um (Juízes 11.2).
Fugido, desprezado e fadado à pobreza por não ter o que herdar, tornou-se um valente e famoso mercenário para poder sobreviver e, provavelmente, praticava delitos pelo grupo de "amigos" que atraiu, chamados de "levianos" em Juízes 11.3.
E por que os anciãos chamaram a Jefté, um bandido, para liderar Israel numa guerra contra os amonitas?
"Por que agora viestes a mim quando estais em aperto?" Números 11.7
Por ser desprezado, sem família e bens, a vida de Jefté e seus companheiros não valia nada, literalmente. No mundo antigo a vida das pessoas valia dinheiro!
Então, segundo a tabela de preços de Levíticos 27.2-8:
homem de 20 a 60 anos ____________50 shekel de prata
mulher de 20 a 60 anos ____________30 shekel de prata
homem de 5 a 20 anos _____________20 shekel de prata*
mulher de 5 a 20 anos______________10 shekel de prata
bebê menino de 1 mês a cinco anos_____5 shekel de prata
bebê menina de 1 mês a cinco anos_____3 shekel de prata
homem idoso acima de 60 anos_______15 shekel de prata
mulher idosa acima de 60 anos_______10 shekel de prata
*José era adolescente e foi vendido por 20 peças de prata ( Gênesis 37.28), ou seja, foi avaliado dentro dessa tabela.
As leis de Levíticos foram registradas bem depois da história de José. Foram mais de quatrocentos anos entre a venda de José por vinte peças de prata e a publicação da tabela pelas leis de Moisés.
Isso quer dizer que as Leis de Moisés foram uma adaptação santa de leis que já existiam e eram praticadas no mundo antigo.
Assim, o Código Hebreu foi feito de leis de outros códigos pagãos moldadas para a santificação de Israel. Isso pode parecer estranho, mas é por isso que foi mantida a Lei do Talião, "olho por olho, dente por dente" porque a lei "do o que se faz de errado se paga na proporção", estava ainda entranhada nas raízes do povo em formação. O povo de Israel precisava de leis para organizar a sua formação, mas elas não poderiam entrar em conflito com os seus costumes diários.
O D'us de Israel usou o sacrifício e o derramamento de sangue dos povos pagãos para dar lições ao povo recém formado sobre REDENÇÃO.
A primeira grande lição que D'us quis dar à Israel sobre redenção foi a proposta à Abraão de sacrificar o seu primogênito e oferecê-lo em holocausto (Gênesis 22.2-12). A cultura pagã estava tão enraizada nele que não relutou em obedecer, muito menos Isaac, já um rapazinho, fugiu ou lutou contra o pai para não morrer. Os valores morais da época permitiam tal sacrifício sem condenação e D'us tinha que mudar isso, a começar pelos patriarcas, os fundadores da nação.
Essa proposta de Redenção do D'us Único serviu de grande alívio para Israel, e muitos estrangeiros se aliaram ao povo por causa dela.
No mundo antigo era muito comum o hábito de se fazer votos que recaíam em sacrifícios de vidas humanas. Assim, em Israel, não se proibiu a lei do voto, mas passou-se a doar a D'us o valor estimado de uma pessoa (Voto de Holocausto - Levíticos 27.1) segundo a tabela dada acima. Um siclo nas versões cristãs ou um shekel na moeda do texto hebraico, vale cerca de 22,9 gramas de prata.
* em Gênesis 37. 28, usa-se o termo "Kessef", dinheiro ou peças de prata pagas pelos árabes por José. Continua nos dias 3 e 6 de setembro de 2010,
nos links: http://telahebraica.blogspot.com/2010/09/o-que-consistia-o-voto-de-jefte.html
e
http://telahebraica.blogspot.com/2010/09/o-voto-de-jefte-e-ana-conclusao-de.html





