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Postagem em Destaque

Jacó: o Grande Empreendedor

Ayin/Shin/Resh A riqueza de Jacó foi planejada pelo próprio. Obviamente, ele teve duas qualidades imprescindíveis para prosperar: generosi...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Diferenças entre os nomes El'him(D'us) e elohim (deuses)

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Do início de Gênesis até o capítulo 2.3 , é mencionado somente o Nome El'him
אֱלֹהִיםreferindo-se ao D'us Criador.

Por que um nome tão genérico, que é usado também para deuses pagãos, é colocado num texto introdutório tão importante na Bíblia?

Como já citamos, o termo "elohim" pode se referir no texto hebraico tanto a seres ou poderes superiores (ISamuel 28.13 "vejo deuses subindo da terra") como anjos, juízes, governantes e outros deuses pagãos, quanto ao D'us Único.

Como exemplo, vemos em I Reis 18.24 a palavra "elohim" sendo usada para D'us e para os deuses dos profetas de Baal.
O profeta Elias nos ensina como fazer a distinção:


וּקְרָאתֶם בְּשֵׁם אֱלֹהֵיכֶם
"(E) Chamai pelo nome dos seus deuses ("eloheichem" do radical elohim)

וַאֲנִי אֶקְרָא בְשֵׁם-יְהוָה
e eu chamarei pelo nome YHWH

וְהָיָה הָאֱלֹהִים אֲשֶׁר-יַעֲנֶה בָאֵשׁ*
e será D'us(El'him) quem (asher=certificado, aprovado) responder pelo fogo


הוּא הָאֱלֹהִים
Ele é o D'us

וַיַּעַן כָּל-הָעָם
e respondeu todo o povo

וַיֹּאמְרוּ
e falaram para ele:

טוֹב הַדָּבָר
boa palavra. "


A diferença entre "El'him" e "elohim" é que estes não respondem!
(I Reis 18.26) Podemos dizer que "deuses" não tem verbo próprio porque não agem sem consentimento.

Assim, em Gênesis 1, o que dá Realeza à El'him é o que Ele faz, o Verbo é mais importante que o Nome.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Rosh Hashaná 5771


Nos dias 8 e 9 de setembro serão realizadas as comemorações de um Novo Ano Judaico. Neste ano vou transcrever um trecho de um dos conselhos de Rabi Sir Jonathan Sacks publicados na Revista Morashá, desse mês (Setembro, ano XVIII,2010):

"Usem bem o seu tempo. Nossa vida é curta, muito curta para ser desperdiçada diante da televisão, nos jogos de computador .... "Ensina-nos a contar os nossos dias", diz o Salmista, "para que tenhamos um coração de sabedoria."
Mas um dia em que fazemos algo de bom a outrem não é um dia desperdiçado."

Nessa época os israelitas costumam passar maçãs no mel, para que o ano que se inicia seja tão doce como ele. Assim,

Shaná Tová Umetucá! Um Ano Novo Doce para todos vocês!!!

Prof. Gláucia Vilela.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O que consistia o voto de Jefté? (Juízes11.30)


O judaísmo é uma religião muito preocupada com o acerto dos ciclos naturais do mundo. Isso porque essa é base para a Vida nos ensinos da Torah . Os judeus chamam de "Tikun Olam" ou seja, Ordem do Mundo, o que procura justamente uma ética para organizar quebras de ciclos ou pequenas desordens.

Assim, muitas coisas que os israelitas não fazem, na verdade são porque simbolizam quebras de ciclos da Vida.
Um exemplo?
Eles não misturam nos alimentos leite e carne, porque um simboliza a Vida (sem o leite, os filhotes não podem crescer) e o outro é símbolo da morte (para se ter carne, um animal deve ser sacrificado).

Sacrificar um filho passou a ser um grande erro para os hebreus, pois era a quebra da geração de Vida de uma família provocada por um membro do próprio ciclo. Os habitantes de Canaã faziam isso através de votos e contaminaram alguns de Israel por causa da desobediência:

"Não destruíram os povos, como o Senhor ordenara, mas se misturaram com as nações, e adotaram os seus costumes... sacrificaram seus filhos e suas filhas aos demônios. Derramaram sangue inocente, o sangue de seus filhos e de suas filhas...." trechos de Salmos 106.34-40.

Perceberam a gravidade desse texto?
Só exite sacrifício de filhos e filhas aos demônios, a D'us jamais!

Para corrigir essa terrível prática no Seu povo Santo, D'us instruiu Abraão a sacrificar o seu único filho (Gênesis 22). Se nos dias de hoje, isso seria um abismo, para Abraão era natural, afinal, era comum sacrifícios de filhos aos deuses! Apesar de crer que Isaque poderia reviver,
esse era o degradante pensamento de toda uma geração, que foi mudado com um novo conceito: o D'us de Israel oferece Redenção. Assim, o rapaz foi substituído por um carneiro trazido pelo próprio D'us (v.22.13), sendo depois fixada a ordem na Lei de Moisés:

"Não haja no teu meio quem faça passar pelo fogo o filho ou a filha..."
Deuteronômio 18.10

O VOTO DE JEFTÉ NO TEXTO EM HEBRAICO

E o voto de Jefté: "qualquer que, saindo da porta da minha casa, me vier ao encontro... esse será do Senhor, e o oferecerei em holocausto." Juízes 11.30-31 e "Ela era filha única." v.34

Já falamos em outras postagens que a Bíblia possui termos linguísticos que não devem ser considerados literalmente, como temos hoje: "Pisar na bola", "Chutou o balde", etc.. Assim temos na análise do termo "oferecer em holocausto" no texto hebraico:

וַיִּדַּר יִפְתָּח נֶדֶר לַיהוָה
"E fez Jefté um voto ("neder") ao Senhor

וַיֹּאמַר:
e disse:

אִם-נָתוֹן תִּתֵּן אֶת-בְּנֵי עַמּוֹ בְּיָדִי.
Se "dado baixa" os filhos de Amon pela minha mão

וְהָיָה הַיּוֹצֵא
a vida (ser) criado

אֲשֶׁר יֵצֵא מִדַּלְתֵי בֵיתִי לִקְרָאתִי
que sair pela porta de minha casa ao meu encontro

בְּשׁוּבִי בְשָׁלוֹם מִבְּנֵי עַמּוֹן--וְהָיָה
na minha volta em paz dos filhos de Amon, e vivo,

לַיהוָה, וְהַעֲלִיתִיהוּ עֹלָה
é do Senhor e o elevarei a Ele em holocausto."


Que texto lindo!!! Não tem nada de sacrifício!

Concluímos que os radicais das palavras elevar e holocausto ("olah") são os mesmos.

Assim, a moça foi "elevada" em holocausto, num termo lingüístico que segue as regras de voto
pelas avaliações da *tabela de Levíticos 27.
*ver post de 12/07/2010

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Os votos de Jefté e Ana (Conclusão de: Jefté sacrificou a sua filha?)


Um voto era uma promessa realizada em termos solenes em que uma pessoa se obrigava a realizar um ato ou abster-se de alguma coisa. Diferente dos dias atuais, era muito comum a realização de votos no mundo antigo e podia ser registrado em uma espécie de cartório. Em alguns casos, havia até multas de 20% sobre o valor da avaliação do objeto prometido, caso a pessoa quisesse fazer o resgate em forma de dinheiro.
Para Israel, após a determinação da Lei Mosaica, a Lei do Voto passou a ter dois principais objetivos:
1. Ensinar ao povo lições sobre o Resgate que só o D'us Único ('Echad) oferecia;
2. Glorificar e enaltecer as bençãos e vitórias que esse mesmo D'us concedia.
Votos precipitados de mulheres podiam ser anulados pelos pais ou maridos: Números 30.6.
Os votos de Jefté e Ana

Levíticos 27.2: "Esta é a lei quando uma pessoa expressa um voto para doar a D'us o valor estimado de uma pessoa."

Esse é o tipo de voto realizado por Jefté, exatamente igual ao realizado por Ana (ISamuel 1.11):

VOTO DE JEFTÉ: "E Jefté fez um voto ao Senhor: Se totalmente entregares os filhos de Amom nas minhas mãos, qualquer um que, saindo da porta da minha casa, me vier ao encontro, voltando eu vitorioso dos filhos de Amom, esse será do Senhor, e o oferecerei em holocausto." Juízes11.11.30-31

VOTO DE ANA: "Ela, com amargura de alma, orou ao Senhor, chorou muito, e fez um voto, dizendo: Ó Senhor dos exércitos, se benignamente atentares para a aflição da sua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva não te esqueceres, mas à tua serva deres um filho, ao Senhor o darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha." ISamuel 1.10-11
A diferença é que Ana não mencionou o novilho que deveria entregar para o holocausto no cumprimento do seu voto, mas em I Samuel 1.24-25 cita o dia da entrega do menino:
"Havendo-o desmamado, tomou-o consigo, com um novilho de três anos, um efa de farinha e um odre de vinho, e o levou à casa do Senhor, em Siló....degolaram o novilho, e trouxeram o menino a Eli."

Obviamente, Jefté esperava uma multidão para recebê-lo na volta de sua vitória contra Amom. Talvez imaginasse um servo ou escravo, mas sabia muito bem do risco de ser a própria filha. A tristeza profunda dele foi provocada pelo desmantelamento das suas riquezas nesse voto.
O que acarretaria? Jefté não teve direito à herança junto aos seus pais porque era filho bastardo.Todos os seus bens vieram de suas administrações e vitórias como juiz de Israel. No primogênito se dá a promessa de herança e gerenciamento de todos os bens do pai. No caso de uma filha primogênita, esperava-se ela casar e ter um filho homem para receber o direito de primogenitura. Ao fazer esse voto, Jefté ofereceu em holocausto o que a moça valia: toda a sua herança!!!

Observamos aí, um princípio espiritual no ciclo de heranças na época de consolidação da nação israelita. Riquezas herdadas pelos pais, eram transmitidas aos filhos e passadas às próximas gerações. Como Jefté não havia herdado nada, os bens que acumulou também não serviram de herança para ninguém, voltaram para D'us.

Quanto à moça, tornou-se pobre e impossibilitada de casar. (Juízes11.40)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Por que Deus é invisível?



Para ilustrar, é só imaginar que D'us está neste momento no dia do seu nascimento, ao seu lado, lendo agora este artigo e no dia de sua morte. Assim, Ele vive simultaneamente em toda a História.

É uma outra dimensão de tempo (alguns rabinos chamam de 4ª Dimensão) além do nosso Passado, Presente, Futuro. É por isso que uns dos melhores Nomes para definir D'us é Eterno.


E por que não vejo D'us?

A capacidade de visão do homem se limita somente ao tempo Presente, ou seja, só podemos ver aquilo que está diante de nossos olhos em um determinado momento. Não podemos visualizar mais as coisas do passado (só lembrar delas) e muito menos ver as coisas do futuro.

Mas D'us vive ao mesmo tempo no Passado, no Presente e no Futuro. Para que pudéssemos vê-Lo, Ele teria que se limitar somente ao tempo Presente, perdendo a sua capacidade de Onipresença, ou seja, a de estar ao mesmo tempo em todos os lugares e em todos os tempos.

Não vemos D'us porque Ele é Onipresente.


"Tal ciência é para mim maravilhosíssima; tão alta qua não a posso atingir."
Salmos 139.6

Outros textos sobre o assunto:

I Reis 8.27; Salmos 139.16; Provérbios 15.3; Jeremias 23.23 e 24, dentre outros.


Profª. Hadassah Ada (artigo editado)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Um homem morto por violar o Sábado (Números 15). Por que as Leis de Moisés eram tão rígidas?


















Na época de consolidação da nação israelita, após a saída do Egito, vemos uma extrema rigidez nas leis do deserto. O povo precisava muito disso porque ainda estava acostumado com os códigos pagãos e infantilmente procurava testar os castigos das leis de Moisés. Foi o caso do homem que foi morto porque estava colhendo lenha em dia de Sábado (Números 15. 32-36).


A foto acima é de uma Torah e uma "yad" (mão"). Esta é uma espécie de ponteira que auxilia os rabinos na leitura do texto, para que não se percam.


Ao longo da história humana, vemos que os códigos legislativos estão sempre sendo modificados ou evoluídos para acompanhar as atualidades culturais de cada sociedade. Portanto, nos tempos de Moisés não haviam Leis de Trânsito, porque não existiam veículos e estradas para tal, assim como nos dias de hoje, no Código Legislativo Brasileiro, não exitem as Leis de Primogenitura na divisão dos bens de herança (Deuteronômio 21.17), embora ainda haja algumas sociedades orientais que as cumpram.

É evidente que as Leis do Deserto foram elaboradas para formar um povo Santo, que tinha um D'us piedoso, e que hoje devem ser consideradas como leis espirituais. Assim, a proibição de semeadura de espécies diferentes em um mesmo campo, do uso de vestidos de dois tecidos diferentes, ou do acasalamento de animais de espécies distintas (Levíticos 19.19), podem parecer muito estranhas, mas oferecem uma mensagem implícita sobre a ordem nos Ciclos da Vida.

No decorrer da história bíblica vemos que foi aumentando a lassidão na guarda do Sábado, sendo certo considerar também que alguns passaram a guardá-lo por costume, e não por espírito religioso.

Assim, vemos ainda no deserto que repetidas vezes o povo desobedeceu a guarda do Sábado e contou com a misericórdia divina. Foram poupados da morte, mas receberam severos castigos nas aflições e privações do deserto sendo impedidos de teram as suas "casas próprias" na Terra que lhes foi prometida:

"Demais, eu levantei a minha mão para eles no deserto, para não os deixar entrar na terra que lhes tinha dado, a qual mana leite e mel, e é a glória de todas as terras, porque rejeitaram os meus juízos, e profanaram os meus sábados. Pois o seu coração andava após os seus ídolos. Não obstante o meu olho lhes perdoou, para não os destruir nem os consumir no deserto." Ezequiel 20.15-17

Reparamos também, no caso do homem morto por causa do Sábado, que era uma época de primeiro amor de Israel com o Seu D'us. Como foi um caso isolado, a sua atitude foi tratada como aberração e levantada como exemplo para quem mais resolvesse fazer o mesmo.
Consequentemente, o erro e a condenação desse homem serviu de lição para uma posterior mensagem que D'us tinha para o Seu povo: pelo código legislativo do deserto, todos estão condenados à morte, mas a misericórdia pode romper a Lei.

Na introdução do livro de Isaías, vemos D'us extremamente irritado com aqueles que guardavam o Sábado, cumpriam os ritos da Lei Mosaica e que não tinham um pingo de misericórdia aos que tinham limitações. Condenavam em suas mentes os que julgavam pecadores nos seus infortúnios. Por causa de seu orgulho em cumprir a lei publicamente, lançavam um olhar de desprezo aos necessitados:

" De que me serve a multidão dos vossos sacrifícios, diz o Senhor? Já estou farto dos holocaustos.... Não continuies a trazer ofertas vãs! O incenso é para mim abominação, e também as luas novas, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniquidade, nem o ajuntamento solene.... escondo de vós os meus olhos...."
"....lavai-vos, e purificai-vos. Tirai a maldade dos vossos olhos atos de diante dos meus olhos! Cessai de fazer o mal, e aprendei a fazer o bem!
"Praticai o que é reto, ajudai o oprimido. Fazei justiça ao órfão, tratai da causa das viúvas." Isaías 1.11-19

Assim, vemos com a evolução da história de Israel, que aliviar as pesadas cargas do próximo está
acima de qualquer Lei Espiritual. Podemos até não conseguir cumprir fielmente a Lei Mosaica, mas se temos um coração voltado para observar e atender as necessidades de uma alma aflita, certamente conquistaremos pontos a mais para alcançar a misericórdia divina.






segunda-feira, 12 de julho de 2010

Jefté sacrificou a filha? Juízes 11.30-40 (I Parte)


Iremos discutir sobre um texto que traz alguns problemas em sua interpretação.
Trata-se de Juízes 11.30-40 onde Jefté realiza um voto de holocausto que recaiu sobre a sua primogênita.

Jefté era filho de uma prostituta. O seu pai, Gileade, era casado e tinha filhos mais velhos que o repeliram para não ter que dividir a herança com mais um (Juízes 11.2).

Fugido, desprezado e fadado à pobreza por não ter o que herdar, tornou-se um valente e famoso mercenário para poder sobreviver e, provavelmente, praticava delitos pelo grupo de "amigos" que atraiu, chamados de "levianos" em Juízes 11.3.
E por que os anciãos chamaram a Jefté, um bandido, para liderar Israel numa guerra contra os amonitas?

"Por que agora viestes a mim quando estais em aperto?" Números 11.7

Por ser desprezado, sem família e bens, a vida de Jefté e seus companheiros não valia nada, literalmente. No mundo antigo a vida das pessoas valia dinheiro!

Então, segundo a tabela de preços de Levíticos 27.2-8:

homem de 20 a 60 anos ____________50 shekel de prata

mulher de 20 a 60 anos ____________30 shekel de prata

homem de 5 a 20 anos _____________20 shekel de prata*

mulher de 5 a 20 anos______________10 shekel de prata

bebê menino de 1 mês a cinco anos_____5 shekel de prata

bebê menina de 1 mês a cinco anos_____3 shekel de prata

homem idoso acima de 60 anos_______15 shekel de prata

mulher idosa acima de 60 anos_______10 shekel de prata

*José era adolescente e foi vendido por 20 peças de prata ( Gênesis 37.28), ou seja, foi avaliado dentro dessa tabela.

As leis de Levíticos foram registradas bem depois da história de José. Foram mais de quatrocentos anos entre a venda de José por vinte peças de prata e a publicação da tabela pelas leis de Moisés.

Isso quer dizer que as Leis de Moisés foram uma adaptação santa de leis que já existiam e eram praticadas no mundo antigo.

Assim, o Código Hebreu foi feito de leis de outros códigos pagãos moldadas para a santificação de Israel. Isso pode parecer estranho, mas é por isso que foi mantida a Lei do Talião, "olho por olho, dente por dente" porque a lei "do o que se faz de errado se paga na proporção", estava ainda entranhada nas raízes do povo em formação. O povo de Israel precisava de leis para organizar a sua formação, mas elas não poderiam entrar em conflito com os seus costumes diários.


Assim, os sacríficios de animais para agradar aos deuses eram costumeiramente realizados pelos povos do mundo antigo, que acabaram estendendo à prática de sacrifício de crianças. Os primogênitos eram mais valiosos, e eram uma forma sublime de alcançar grandes bençãos.

O D'us de Israel usou o sacrifício e o derramamento de sangue dos povos pagãos para dar lições ao povo recém formado sobre REDENÇÃO.

A primeira grande lição que D'us quis dar à Israel sobre redenção foi a proposta à Abraão de sacrificar o seu primogênito e oferecê-lo em holocausto (Gênesis 22.2-12). A cultura pagã estava tão enraizada nele que não relutou em obedecer, muito menos Isaac, já um rapazinho, fugiu ou lutou contra o pai para não morrer. Os valores morais da época permitiam tal sacrifício sem condenação e D'us tinha que mudar isso, a começar pelos patriarcas, os fundadores da nação.
A mensagem era a seguinte: se os outros deuses obrigam vocês a dolorosamente sacrificar os seus primogênitos no fogo, Eu, o D'us de Israel, dou a opção de subtituir esse sacrifício por um animal macho, sem defeitos, também de grande valor, do seu rebanho.
Essa proposta de Redenção do D'us Único serviu de grande alívio para Israel, e muitos estrangeiros se aliaram ao povo por causa dela.

No mundo antigo era muito comum o hábito de se fazer votos que recaíam em sacrifícios de vidas humanas. Assim, em Israel, não se proibiu a lei do voto, mas passou-se a doar a D'us o valor estimado de uma pessoa (Voto de Holocausto - Levíticos 27.1) segundo a tabela dada acima. Um siclo nas versões cristãs ou um shekel na moeda do texto hebraico, vale cerca de 22,9 gramas de prata.

* em Gênesis 37. 28, usa-se o termo "Kessef", dinheiro ou peças de prata pagas pelos árabes por José. Continua nos dias 3 e 6 de setembro de 2010,
nos links: http://telahebraica.blogspot.com/2010/09/o-que-consistia-o-voto-de-jefte.html
e
http://telahebraica.blogspot.com/2010/09/o-voto-de-jefte-e-ana-conclusao-de.html