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terça-feira, 6 de agosto de 2013

Dívidas, botijas, vasilhas! II Reis 4.1-7


O texto de II Reis 4.1-7 nos revela alguns segredos sobre administração financeira. Um ensinamento interessante do Judaísmo é que ele não desvincula dinheiro de vida espiritual. Os negócios fazem parte  de nossa relação com o Eterno, e podem sim, sob medida, ajudar em nosso crescimento espiritual. Algumas religiões carregam em si conceitos de votos de pobreza, como se o Justo, ou o que almeja uma relação íntima com D'us, não pudessem trabalhar ou investir.


 A primeira foto é de uma botija de barro, a segunda apresenta vasilhas ou panelas. Isso fará diferença na interpretação do texto. fonte:http://www.culturamania.com.br/?page_id=777 

http://www.mercafacil.com.br/blog/panela-de-barro/



A primeira colocação sobre dinheiro é quem segue a Torah pode ter duas opções de vida: viver para enriquecer ou viver do suficiente. Isso quer dizer que se você tem planos para enriquecer, isso vai de qualquer maneira acabar te tomando um bom tempo, colocando também em risco a convivência com a sua família, a percepção do sorriso de seus filhos pequenos, a contemplação dos detalhes da Criação... Os resultados de seus empreendimentos podem ser um pouco dolorosos e bem suados, com altos e baixos espirituais, idas e vindas ao Altar, e que por fim, de forma maravilhosa, te fará crescer também !

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Para os que desejam simplesmente viver daquilo que lhe for suficiente para comer, se vestir, pagar as contas, moradia, saúde e educação.....também é um bom projeto de vida. Mas terá também que sentar, se planejar e responder por escrito: 

"O que é suficiente e essencial para eu viver?"

A segunda colocação sobre dinheiro é que será mais saudável para a sua vida espiritual INVESTIR e beneficiar pessoas, ao invés de simplesmente ACUMULAR! Isso é muito difícil para algumas pessoas, pois tendemos a ser como hamsters, que guardam nas bochechas e em casa com medo de um período de fome. A diferença é que os hamsters são programados para ficar por longos períodos em sua toca, e a passar por certas estações  de pouca comida, e nós nos inclinamos a acumular a vida inteira, morrer e deixar nossos parentes em guerra! Não é errado juntar, é errado ACUMULAR, há diferenças.....perceberam? Junte, compre um imóvel...alugue, junte de novo, compre outro imóvel...alugue....abra um comércio, o seu dinheiro não fica parado, tem circulação, e você vai aumentando o diâmetro desse círculo!

E lembre-se sempre de beneficiar a Vida e pessoas.

Agora vamos aos detalhes do texto para nosso crescimento:


II Reis 4.1-7



1. A mulher não tinha nome, mas definição. Ela era mulher de um discípulo dos profetas. Ela se apresenta à Eliseu como viúva de um homem que temia ao Senhor v.1.

וְאִשָּׁה אַחַת מִנְּשֵׁי בְנֵי-הַנְּבִיאִים צָעֲקָה אֶל-אֱלִישָׁע לֵאמֹר, עַבְדְּךָ אִישִׁי מֵת, וְאַתָּה יָדַעְתָּ, כִּי עַבְדְּךָ הָיָה יָרֵא אֶת-יְהוָה; וְהַנֹּשֶׁה--בָּא לָקַחַת אֶת-שְׁנֵי יְלָדַי לוֹ, לַעֲבָדִים

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Olha só, um justo desamparado!

""Fui moço e já, agora, sou velho, porém jamais vi o justo desamparado, nem a sua descendência a mendigar pão!" Salmos 37.25


 Não está em contradição, ela está REIVINDICANDO uma promessa fincada na Eternidade de que os justos e sua descendência não podem ser desamparados! Isso quer dizer que dificuldades existem até para os Justos, mas eles sabem onde tem ajuda!


2." ... é chegado o credor para levar  אֶת-שְׁנֵי יְלָדַי לוֹ, לַעֲבָדִים  meus dois filhos para lhe serem escravos."


 Esse desespero da mãe era, infelizmente, uma situação muito comum entre as viúvas do Mundo Antigo. Há inúmeras referências bíblicas de amparo aos órfãos e viúvas, pois a mulher sozinha na época era culturalmente desfavorecida. A preservação dos bens materiais deixados pelos maridos eram mais importantes que a própria vida das viúvas e seus filhos:


"Se uma viúva, cujos filhos são pequenos, decidiu entrar na casa de outro, não poderá entrar sem permissão dos juízes. Quando ela for entrar na casa de um outro, os juízes examinarão a situação da casa de seu primeiro marido ao segundo marido e à mulher, e lhes farão redigir um contrato. Eles guardarão a casa, criarão os filhos pequenos e não venderão os objetos. O comprador que comprar os objetos dos filhos de uma viúva perderá a sua prata, os bens voltarão ao seu proprietário."

Art. 177, capítulos IX e X ( Injúria e Difamação - da Família) Código de Hamurabi
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Segundo os códigos de leis da época, o credor tinha  liberdade e incentivo jurídico para não exercer a piedade com viúvas:


 Art. 152 "Se depois que a mulher entrou na casa de um homem, recaiu sobre eles uma dívida, ambos deverão pagar ao mercador." 9 Capítulo IX e X - Código de Hamurabi).


Os credores só não podiam reivindicar o pagamento das viúvas que tinham um documento assinado pelo marido responsabilizando-se pelas dívidas, pois já as tinha antes do casar ( Art. 151- capítulo IX e X - Código de Hamurabi).

Os bens deixados pelo morto, não podiam ser vendidos, somente herdados aos filhos.
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3. "O que hei de fazer?" מָה אֶעֱשֶׂה-לָּךְ

A pergunta é pertinente a partir do momento que se entende que D'us faz o milagre segundo a vontade e a determinação do próprio necessitado. A viúva foi convidada a pensar em possibilidades para a solução de seu problema, e depois o profeta engata em uma segunda pergunta:
מַה-יֶּשׁ-לכי (לָךְ) בַּבָּיִת 
"O que tens em casa?"
E ela respondeu: " Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite."
וַתֹּאמֶר, אֵין לְשִׁפְחָתְךָ כֹל בַּבַּיִת, כִּי
אִם-אָסוּךְ שָׁמֶן
 " Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite."

אֵין  "nada", "não tem"

לְשִׁפְחָתְךָ   "tua serva" ou "tua escrava, ou "tua criada"
כֹל  em toda
בַּבַּיִת casa  , significa que ela já havia vasculhado a casa inteira para ver se havia algo que pudesse quitar as suas dívidas
אִם aqui como "senão" 
אָסוּךְ esse termo originado do vocábulo "asum" de armazenado, na verdade um "armazenador" traduzido como botija
 שָׁמֶן de "shemen", óleo, azeite 

Uma BOTIJA era um recipiente onde se ARMAZENAVA o azeite, sendo então de boca estreita, ele dificultava a sua visão e o cálculo exato de sua quantidade. É certo que o azeite, para manter a sua qualidade deve ser guardado em recipientes fechados e longe da claridade. A viúva não especificou se a botija estava com pouco azeite ou cheia, mas pelos seus cálculos a quantidade era insuficiente para pagar as suas dívidas.  Mas ela, embora considerasse um NADA, tinha alguma coisa em casa!


Até  os milagres surgem de um ponto de partida físico ou de uma atitude, ou seja, um milagre não surge do NADA, do VAZIO.


 A viúva simplesmente não entrou em sua casa e viu maravilhada as várias vasilhas cheias de azeite para pagar a sua dívida. Havia necessidade de um movimento, de um "trabalho" da parte dela para que o movimento de Du's se completasse.


Entenderam? O mar de Juncos na fuga de Israel do Egito se abriu com um vento oriental muito forte (Êxodo 14.21) após Moisés estender a sua mão sobre.

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Para que os milagres aconteçam precisa-se primeiro PENSAR e depois AGIR em favor de sua ocorrência. O milagre cobre a parte que não conseguimos mais fazer, essa é parte de D'us!


Outro fato interessante, é que a palavra hebraica "nes" é usada tanto para "milagre" como para "bandeira, estandarte". Os milagres são a bandeira de Israel, os milagres são a bandeira de nossas vidas, eles pregam um D'us VIVO que age a nosso favor sempre. Se vivemos uma vida espiritual inerte e acomodada sem milagres, não estamos levantando a bandeira de nossa fé!!!

Conclusão:
A inércia é inimiga do milagre.

3. "Vai, pede emprestadas vasilhas a todos os teus vizinhos; vasilhas vazias, não poucas."


 וַיֹּאמֶר, לְכִי שַׁאֲלִי-לָךְ כֵּלִים מִן-הַחוּץ, מֵאֵת

כָּל-שכנכי (שְׁכֵנָיִךְ)--כֵּלִים רֵקִים, אַל-תַּמְעִיטִי

כֵּלִים vasos, utensílios, vasilhas, aqui vemos a diferença da botija para as vasilhas. A botija era para armazenamento, as vasilhas são utensílios em forma de bacias, usadas para deslocar o azeite para alguma necessidade.


כָּל-שכנכי "todos os seus vizinhos" , vizinhos de "shachen"

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כֵּלִים רֵקִים vasilhas vazias, deixava-se bem claro que ela deveria pedir somente as vasilhas, o instrumento físico para carregar o azeite,  e que não deveria tirar de ninguém, apenas tomar emprestado algo que ela poderia devolver depois facilmente.O profeta queria libertá-la, por isso ela não devia fazer nenhum tipo de pedido de empréstimo de azeite ou de dinheiro:


"O rico domina sobre o pobre, e o que toma emprestado é servo do que empresta." Provérbios 22.7


 אַל-תַּמְעִיטִי "não poucas (para ti)" é claro, que quanto maior a disposição dela e de seus filhos de ir de casa e casa conversar com seus vizinhos pedindo as vasilhas emprestadas, maior seria o milagre.



Sabe, o isolamento só traz prejuízos como diz em Provérbios 18.1 "O solitário busca o seu próprio interesse e insurge-se contra a verdadeira sabedoria."


Nesse mundo físico, se quisermos ter uma vida espiritual sadia, precisamos interagir com as pessoas! Quanto maior o nosso círculo de bons relacionamentos, maior o benefício, pois se a família da viúva tivesse poucos vizinhos capazes de ajudá-la, poucas seriam as vasilhas!


4. "Então, entra, e fecha a porta sobre ti e sobre teus filhos, e deita o teu azeite em todas aquelas vasilhas; põe à parte a que estiver cheia."

וּבָאת, וְסָגַרְתְּ הַדֶּלֶת
בַּעֲדֵךְ וּבְעַד-בָּנַיִךְ, וְיָצַקְתְּ, עַל כָּל-הַכֵּלִים הָאֵלֶּה; וְהַמָּלֵא, תַּסִּיעִי

Um trabalho de etapas. A primeira etapa a ser cumprida era pedir as vasilhas emprestadas aos vizinhos e depois fechar a porta.

Talvez, durante o enchimento milagroso das vasilhas, um dos meninos tivesse pensado: "Puxa, devia ter ido à casa de fulano de tal e pedido mais vasilhas." Um milagre do tamanho exato da fé.
Eles envolveram os vizinhos na composição do milagre, mas não podiam deixá-los participar dele.

5. " Partiu, pois, dele e fechou a porta sobre si e sobre seus filhos; estes lhe chegavam as vasilhas, e ela as enchia."   וַתֵּלֶךְ, מֵאִתּוֹ, וַתִּסְגֹּר הַדֶּלֶת, בַּעֲדָהּ וּבְעַד בָּנֶיהָ; הֵם מַגִּישִׁים אֵלֶיהָ

 וְהִיא מיצקת מוֹצָקֶת        

Era muito importante a privacidade deles nesse momento do milagre, sem questionamento de pessoas estranhas, sem sensacionalismos, D'us novamente agindo em silêncio! A concentração dos três no momento do milagre não podia passar por distrações e tumulto. A visão do milagre era deles, somente deles. Os resultados do milagre é que eram para serem vistos depois, como a uma bandeira hasteada.

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6. "Cheias as vasilhas, disse ela a um dos filhos: Chega-me, aqui, mais uma vasilha. Mas ele respondeu: Não há mais vasilhas. E o azeite parou."

וַיְהִי כִּמְלֹאת הַכֵּלִים, וַתֹּאמֶר אֶל-בְּנָהּ הַגִּישָׁה אֵלַי עוֹד כֶּלִי, וַיֹּאמֶר אֵלֶיהָ, אֵין עוֹד כֶּלִי; וַיַּעֲמֹד, הַשָּׁמֶן  
עוֹד כֶּלִי "mais vasilhas!"
אֵין עוֹד כֶּלִי "não há mais vasilhas!"

וַיַּעֲמֹד "e parou", "e manteve-se"


 הַשָּׁמֶ "o azeite"

Eles não puderam nem fazer menção em abrir a porta e buscar mais vasilhas, pois a produção de azeite parou a partir do momento em que perceberam que haviam acabado as vasilhas.

7."Então, foi ela e fez saber ao homem de D'us; ele disse: Vai vende o azeite e paga a tua dívida; e tu e teus filhos, vivei do resto."

 ז וַתָּבֹא, וַתַּגֵּד לְאִישׁ הָאֱלֹהִים, וַיֹּאמֶר לְכִי מִכְרִי אֶת-הַשֶּׁמֶן, וְשַׁלְּמִי אֶת-נשיכי (נִשְׁיֵךְ); וְאַתְּ בניכי (וּבָנַיִךְ), תִּחְיִי בַּנּוֹתָר

נִשְׁיֵךְ de "nechech" bem traduzido para "juros" ou "usura"
pode-se traduzir-se "paga os teus juros"

O radical hebraico para "juros" também é usado para o verbo "morder" ou "usurar"! Os juros mordem o seu dinheiro!
telahebraica.blogspot.com.br Das considerações sobre esse trecho tiramos algumas conclusões financeiras. A primeira é que devemos nos esforçar sempre em pagar PRIMEIRO as nossas dívidas ou as nossas contas para depois desfrutar de nosso dinheiro. É óbvio que num planejamento financeiro, as nossas necessidades devem vir em primeiro lugar, mas enquanto existirem contas a pagar, o que for gasto em necessidade básica, deve ser estritamente o necessário até que as dívidas sejam pagas.
תִּחְיִי vivei

 בַּנּוֹתָר do restante, do sobrante                                               telahebraica.blogspot.com.br


O desfrutar verdadeiro do dinheiro só pode ocorrer se temos as contas pagas, caso contrário, poderemos ficar ansiosos e perder o sono com preocupação em dívidas, anulando qualquer sensação de paz financeira. 

Problemas financeiros acarretam problemas de convívio familiar, e isso é o que menos interessa para D'us, por isso mantenha as suas contas em dia, ou então não procure fabricá-las!


A segunda consideração é que o dinheiro do azeite certamente iria acabar um dia, assim, o profeta deu à viúva e seus filhos um descanso momentâneo, mas que obviamente deveria ser interrompido com  trabalho e espírito investidor para garantir a continuidade da sobrevivência de todos.


Na terceira consideração é que todo trabalho é digno de pagamento. A pior coisa que alguém pode fazer para a sua saúde financeira é reter o salário de uma pessoa que prestou algum serviço para ela. Grandes empresas vão à falência quando a sua direção começa a quebrar essa lei, a de pagamento justo e em dia do salário de todos os seus funcionários.

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"Não oprimirás o jornaleiro pobre e necessitado, seja ele teu irmão ou estrangeiro que está na tua terra e na tua cidade. No seu dia, lhe darás o seu salário, antes do pôr do sol, porquanto é pobre, e disso depende a sua vida; para que não clame contra ti ao Senhor, e haja em ti pecado." 


Deuteronômio 24.14-15



 A quarta recomendação, talvez a mais importante:


Nunca tire proveito de uma grande necessidade de um trabalhador para pagá-lo de forma injusta!


Não há prosperidade financeira com trabalho pago de forma injusta:


 " Não pareça aos teus olhos duro o despedi-lo forro; pois seis anos te serviu por metade do salário do jornaleiro; assim, o Senhor, teu D'us, te abençoará em tudo o que fizeres." DT 1518 


Algumas informações sobre DINHEIRO E SALÁRIOS:

1. Ninguém deve trabalhar de graça:

"Depois, disse Labão a Jacó: Acaso, por seres meu parente, irás servir-me de graça? Dize-me, qual será o teu salário?' Gênesis 29.15 

Labão foi por vezes foi injusto ou inadimplente com os seus pagamentos a Jacó.


Com o desejo de Jacó de sair da "empresa" Labão trata novo pacto: "Fixa o teu salário, que te pagarei." Gênesis 30.28

"Então, lhe disse a filha de Faraó: Leva este menino e cria-mo; pagar-te-ei o teu salário. A mulher tomou o menino e o criou." Êxodo 2.9
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Perceberam a situação milagrosa da mãe de Moisés?
 Enquanto as outras mães hebréias eram perseguidas para que seus filhos fossem mortos, ela recebia um salário da própria filha de Faraó para criar o seu!

2. Quem se beneficia do trabalho de outro sem pagá-lo traz sobre si maldição:

"Ai daquele que edifica a sua casa com injustiça e os seus aposentos, sem direito! Que se vale do serviço do seu próximo, sem paga, e não lhe dá o salário." Jeremias 22.13


3. O dinheiro proveniente de atividades ilícitas, de idolatria e de prostituição é frágil e se perde facilmente:

"Todas as suas imagens de escultura serão despedaçadas, e todos os salários de sua impureza serão queimados, e todos os seus ídolos eu farei ruína, porque do preço da prostituição os ajuntou, e a este volverão." Miquéias 1.7

4. Seremos julgados na Eternidade pelas nossas injustiças financeiras também:

" Chegar-me-ei a vós outros para juízo; serei testemunha veloz contra os feiticeiros, e contra os adúlteros, e contra os que juram falsamente, e contra os que defraudam o salário do jornaleiro, e oprimem a viúva e o órfão, e torcem o direito do estrangeiro, e não me temem, diz o Senhor dos Exércitos." 
Malaquias 3.5
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" O que oprime ao pobre para enriquecer a si ou o que dá ao rico certamente empobrecerá." Provérbios 22.16


Cuide para não perder a sua Vida por causa de brigas financeiras com pessoas pobres:


"Não roubes ao pobre, porque é pobre, nem oprimas em juízo ao aflito, porque o Senhor defenderá a causa deles e tirará a vida aos que os despojam." Provérbios 22.22-23

ATENÇÃO: Toda vez que aparece a palavra "jornaleiro" nas traduções, não quer dizer que a pessoa  vende jornais, e sim que cumpre jornadas de trabalho!

E quando o nosso dinheiro não rende, ou se perde à toa?


5. Quando estamos usando o nosso dinheiro de forma egoísta, sem atender as necessidades de D'us e das pessoas, o nosso dinheiro e nossos investimentos não rendem:



"Tendes semeado muito e recolhido pouco; comeis, mas não chega para farta-vos; bebeis, mas não dá para saciar-vos; vestis-vos, mas ninguém se aquece; e o que recebe salário, recebe para pô-lo num saquitel furado."  

Ageu 1.6

O contexto desse trecho é que o comodismo dos israelitas em construir a Casa do Senhor era tão grande, que nem perceberam que o seu próprio dinheiro já não rendia e que passavam por necessidades financeiras por conta de sua desobediência.


6. A generosidade sempre traz bençãos espirituais:

" O generoso será abençoado, porque dá do seu pão ao pobre." Provérbios 22.9

Melhor ainda é fazer a generosidade sem que o beneficiado se sinta na obrigação de retribuir! É pagar muito bem por um serviço ou pequeno favor, é valorizar muito o ser humano, além do que ele merece. 



7. Não se endivide!

" Não esteja entre os que se comprometem e ficam por fiadores de dívidas, pois se não tens com que pagar, por que arriscas perder a cama debaixo de ti?" Provérbios 22.26-27
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8. Se você faz o seu trabalho bem feito, um dia será reconhecido pelos ricos:


" Vês a um homem perito na sua obra? Perante reis será posto; não entre a plebe." Provérbios 22.29





Bibliografia:


Código de Hamurabi - Código de Manu (Livros oitavo e Nono) - Lei das XXII Tábuas. Supervisão Editorial Jair Lot Vieira - EDIPRO, 1ª edição, 1994, SP.


1.A Torá Viva - O Pentateuco e as Haftarot - Anotado por Rabino Aryeh Kaplan- Editora Maayanot;
2.Tehilim - Salmos Tradutores: Adolph Wasserman & Chaim Szwertszarf; McKlausen Editora; RJ.
3.Dicionário Português Hebraico e Hebraico Português - Abraham Hatzamri e Shoshana More-Hatzamri - ed. Sêfer
4.Dicionário Hebraico-Português&;Aramaico-Português, Sinodal Vozes, 4ª edição, 1994.

Texto em hebraico de מלכים ב para análise:
cap. 4:1-7
א וְאִשָּׁה אַחַת מִנְּשֵׁי בְנֵי-הַנְּבִיאִים צָעֲקָה אֶל-אֱלִישָׁע לֵאמֹר, עַבְדְּךָ אִישִׁי מֵת, וְאַתָּה יָדַעְתָּ, כִּי עַבְדְּךָ הָיָה יָרֵא אֶת-יְהוָה; וְהַנֹּשֶׁה--בָּא לָקַחַת אֶת-שְׁנֵי יְלָדַי לוֹ, לַעֲבָדִים.  ב וַיֹּאמֶר אֵלֶיהָ אֱלִישָׁע, מָה אֶעֱשֶׂה-לָּךְ, הַגִּידִי לִי, מַה-יֶּשׁ-לכי (לָךְ) בַּבָּיִת; וַתֹּאמֶר, אֵין לְשִׁפְחָתְךָ כֹל בַּבַּיִת, כִּי, אִם-אָסוּךְ שָׁמֶן.  ג וַיֹּאמֶר, לְכִי שַׁאֲלִי-לָךְ כֵּלִים מִן-הַחוּץ, מֵאֵת, כָּל-שכנכי (שְׁכֵנָיִךְ)--כֵּלִים רֵקִים, אַל-תַּמְעִיטִי.  ד וּבָאת, וְסָגַרְתְּ הַדֶּלֶת בַּעֲדֵךְ וּבְעַד-בָּנַיִךְ, וְיָצַקְתְּ, עַל כָּל-הַכֵּלִים הָאֵלֶּה; וְהַמָּלֵא, תַּסִּיעִי.  ה וַתֵּלֶךְ, מֵאִתּוֹ, וַתִּסְגֹּר הַדֶּלֶת, בַּעֲדָהּ וּבְעַד בָּנֶיהָ; הֵם מַגִּישִׁים אֵלֶיהָ, וְהִיא מיצקת (מוֹצָקֶת). ו וַיְהִי כִּמְלֹאת הַכֵּלִים, וַתֹּאמֶר אֶל-בְּנָהּ הַגִּישָׁה אֵלַי עוֹד כֶּלִי, וַיֹּאמֶר אֵלֶיהָ, אֵין עוֹד כֶּלִי; וַיַּעֲמֹד, הַשָּׁמֶן.  ז וַתָּבֹא, וַתַּגֵּד לְאִישׁ הָאֱלֹהִים, וַיֹּאמֶר לְכִי מִכְרִי אֶת-הַשֶּׁמֶן, וְשַׁלְּמִי אֶת-נשיכי (נִשְׁיֵךְ); וְאַתְּ בניכי (וּבָנַיִךְ), תִּחְיִי בַּנּוֹתָר

sexta-feira, 5 de julho de 2013

כְּאַיָּל Salmos 42.2-4 em Hebraico

תפילת אשה -   Woman's prayer to God 

Cantora: Irit Bulka


Versos 2 a 4:

 כְּאַיָּל תַּעֲרֹג עַל-אֲפִיקֵי-מָיִם Keaial ta'arog al 'afikei maim

Como  a corça anseia pelas fontes das águas 


כֵּן נַפְשִׁי תַעֲרֹג אֵלֶיךָ אֱלֹקים.  Ken nafshi ta'arog 'eleicha     'El'okim

Assim minha alma suspira  por Ti óh  El'him 


צָמְאָה נַפְשִׁי לֵאלֹקִים, לְאֵל חָי.   Tzam'ah nafshi  le'Elokim, le'elchai

 Sedenta  minha alma (está)  De  El'him, D'us Vivo! 


מָתַי אָבוֹא וְאֵרָאֶה פְּנֵי אֱלֹקים    Matai 'avo' ve'era'e f'nei 'Elokim?

 Quando virei E aparecerei Diante de El'him?


הָיְתָה-לִּי דִמְעָתִי לֶחֶם, יוֹמָם וָלָיְלָה   Hai'etah-li dime'ati lechem, iomam valai'lah

Para mim eram minhas  lágrimas sustento dia e noite.


בֶּאֱמֹר אֵלַי כָּל-הַיּוֹם: אַיֵּה אֱלֹקיךָ Be'emor 'elai col-haiom: 'Aieh 'Elokicha?

Escarnecem  de mim todo o dia:"Onde está o Teu D'us?"



repita o texto acima e siga

כְּאַיָּל Keaial Como  a corça  


אֲפִיקֵי-מָיִם  'afikei maim pelas fontes das águas 


 אֵלֶיךָ אֱלֹקים   'eleicha  'El'okim por Ti óh  El'him 


צָמְאָה נַפְשִׁי לֵאלֹקִים, לְאֵל חָי Tzama nafshi  le'Elokim, le'elchai

 Sedenta  minha alma (está)  De  El'him, D'us Vivo! 


מָתַי אָבוֹא וְאֵרָאֶה פְּנֵי אֱלֹקים Matai 'avo' ve'era'e f'nei  'Elokim?

Quando virei E aparecerei Diante de El'him?

 הָיְתָה-לִּי דִמְעָתִי לֶחֶם, יוֹמָם וָלָיְלָה Hai'etah-li dime'ati lechem, iomam valai'lah

Para mim eram minhas  lágrimas  sustento dia e noite.


 בֶּאֱמֹר אֵלַי כָּל-הַיּוֹם: אַיֵּה אֱלֹקיךָ Be'emor 'elai col-haiom: 'Aieh 'Elokicha?

Escarnecem  de mim todo o dia:"Onde está o Teu D'us?"


 אַיֵּה אֱלֹקיךָ    'Aieh 'Elokicha?  "Onde está o Teu D'us?"

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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

תהילים פרק קנ Salmos 150 - O que vale a pena na Vida

Salmos 150
O que vale realmente a pena fazer nessa Vida?

Algumas pessoas responderiam plantar uma árvore, escrever um livro ou ter filhos. São formas de perpetuar a nossa memória na terra após a morte, de fazer com que as pessoas se lembrem de nós por gerações. Conquistar isso é realmente maravilhoso, mas há algo superior que nos trará maior satisfação em tempos vindouros. Toda vez que louvamos a D'us com sinceridade nossos louvores são lançados na Eternidade, para onde iremos. Isso quer dizer que quando morrermos veremos como num filme instantâneo tudo o que fizemos na vida, inclusive os momentos de satisfação em dizer: "Toda a minha alma louve a YAH!".

Nossos louvores também são registrados nos céus, e que satisfação você sentirá após a sua ida ao Mundo Vindouro em ver os seus momentos de alegria em D'us no seu Grande Filme?
 No Salmo final de Tehilim, o salmista resume o propósito de toda a obra. Os Salmos foram compostos para dar ao homem a oportunidade de desenvolver e enriquecer sua alma pelo reconhecimento das ações misericordiosas de D'us em prol de sua vida e de toda a humanidade e plena oferta de louvores e cânticos a Ele.
Reconhecer D'us em todas as situações é um grande desafio.

Música cantada por Yosef Karduner

 
Cante acompanhando as letras vermelhas.

1.הַלְלוּ-יָהּ Louvem a D'us (Yah)
Halelu-Kah

הַלְלוּ-אֵל  Louvem a D'us (El)
Halelu - El



 בְּקָדְשׁוֹ No seu Santuário
Be'kad'sho



 הַלְלוּהוּ Louvem-no
Haleluhu 


 בִּרְקִיעַ עֻזּוֹ no firmamento(Céu) de Sua força.
 Bir'ki'a  'uzo

2.הַלְלוּהוּ Louvem-no
Haleluhu 


בִגְבוּרֹתָיו Na Sua bravura
Bigue'vurotain

 הַלְלוּהוּ Louvem-no
Haleluhu 

כְּרֹב גֻּדְלוֹ Conforme Sua abundante grandeza
ke'rov gude'lo



3. הַלְלוּהוּ Louvem-no

Haleluhu 

 בְּתֵקַע שׁוֹפָר No toque do shofar
Be'te'ka shofar

 הַלְלוּהוּ Louvem-no
Haleluhu 

 בְּנֵבֶל וְכִנּוֹר no nevel e kinor
Be'nevel ve'kinor


4. הַלְלוּהוּ Louvem-no

Haleluhu 


בְּתֹף וּמָחוֹל No tof e machol
Be'tof  umachol

 הַלְלוּהוּ Louvem-no
Haleluhu 

 בְּמִנִּים וְעֻגָב No minim e ugav
Be'minim ve'ugav



5. הַלְלוּהוּ Louvem-no

Haleluhu 


 בְצִלְצְלֵי-שָׁמַע No tzil'tz'lei shamá
Be'tzil'tz'lei shamá

 הַלְלוּהוּ Louvem-no
Haleluhu 

 בְּצִלְצְלֵי תְרוּעָה No tzil'tz'lei te'ruá
be'tzil'tz'lei teruá




6.כֹּל הַנְּשָׁמָה Toda a alma

Kol  hane'shamah

 תְּהַלֵּל יָהּ Louve a Yah
Te'chalel  Kah

 הַלְלוּ-יָהּ Alelu - Yah
Alelu - Kah


Instrumentos musicais em hebraico citados em salmos 150:

Os instrumentos musicais deTehilim 150 é uma figura das diferentes formas e situações em que o homem pode adorar a D'us. Pode-se perceber a proximidade Dele e tremer diante de Sua Presença e julgamento temível pelo forte toque do shofar (verso3), que lembra sua forte voz, "kol", através de um trovão. Em determinados momentos, pode-se também acalmar a alma através da serenidade dos sons delicados do nevel e kinor (alaúde e harpa), reconhecendo-se que a tranquilidade da felicidade também é um presente.
Há momentos em que a vida torna-se agitada e turbulenta como as batidas do tof (tambor) e a música de machol (dança) pode liberar as tensões, pois mesmo nessas situações, o homem não pode permitir que o tumulto o faça esquecer do louvor a D'us.
A ampla variedade de instrumentos musicais citada nesse Salmo reflete o largo espectro das emoções humanas. Muitos sons diferentes assemelham-se aos muitos ânimos e humores, as intercalações de alegria, tristeza, depressão, agitação e tranquilidade próprias da vida. A nossa alma não deve permanecer insensível e silenciosa em todas essas situações, e sim, aberta a novas percepções da bondade e misericórdia divina.

versículo 3
הַלְלוּהוּ Louvem-no
 בְּתֵקַע שׁוֹפָר no toque do shofar (1)
 הַלְלוּהוּ Louvem-no
 בְּנֵבֶל וְכִנּוֹר no nevel (2) e kinor (3)
versículo 4
 הַלְלוּהוּ Louvem-no
 בְּתֹף וּמָחוֹל no tof (4) e machol (5)
 הַלְלוּהוּ Louvem-no
 בְּמִנִּים וְעֻגָב no minim (6) e ugav (7)
versículo 5
הַלְלוּהוּ Louve-no
 בְצִלְצְלֵי-שָׁמַע no tziltzelei shamá (8)
 הַלְלוּהוּ Louve-no
 בְּצִלְצְלֵי תְרוּעָה no tziltzelei teruá (9)
versículo 6
כֹּל הַנְּשָׁמָה Toda a alma
 תְּהַלֵּל יָהּ Louve a Yah
 הַלְלוּ-יָהּ Louvem a Yah! (Aleluia!)


shofar (1) 
(do hebraico שופר shofar ) é considerado um dos instrumentos de sopro mais antigos. Somente a flauta do pastor – chamada Ugav, na Bíblia – tem registro da mesma época, mas não tem função em serviços religiosos nos dias de hoje.
O shofar não produz sons delicados como o clarim moderno, a trombeta ou outro instrumento de sopro, mas para os judeus, o shofar não é apenas um instrumento "musical". É um instrumento tradicionalmente sagrado.
Na tradição judaica, lembra o carneiro sacrificado por Avraham (Abrão) no lugar de Yitschac (Isaac) através da história da Akedá (amarração de Yitschac), lida no segundo dia de Rosh Hashaná.
O shofar é feito de um chifre de animal casher (considerado limpo). Qualquer chifre pode ser usado para o shofar, exceto vaca ou touro, pois estes chifres são chamados em hebraico de "keren" e não shofar, e também porque seu chifre poderia remeter ao Bezerro de Ouro que os filhos de Israel fizeram no deserto, ao deixarem o Egito.
Geralmente, e de preferência, o shofar é feito de um chifre de carneiro, em memória do carneiro que foi oferecido em lugar de Yitzhak (Isaac), que permitiu-se ser atado e colocado sobre o altar como um sacrifício a Deus.
Nos tempos antigos, o shofar era usado em ocasiões solenes. A palavra shofar é mencionada pela primeira vez em conexão à Revelação Divina no Monte Sinai, quando "a voz do shofar era por demais forte e todo o povo do acampamento tremeu". Assim, o shofar em Rosh Hashaná (ano novo judaico) tem o dever de lembrar aos judeus suas obrigações para com seu serviços religiosos.
O shofar também era tocado durante as batalhas contra inimigos perigosos. Portanto, o shofar de Rosh Hashaná serve como um grito de guerra contra o inimigo interior, impulsos maus e paixões.
O Shofar emite três sons característicos: Tekiá – um som contínuo, como um longo suspiro; Shevarim – três sons interrompidos, como soluços; Teruá – nove (ou mais) sons curtíssimos como suspiros entrecortados em prantos.
O shofar era uma espécie de trompa.

nevel (2) 
ALAÚDE: Instrumento de corda, semelhante à viola. É a tradução da vulgar palavra hebraica nebel. Nebel é a maior parte das vezes traduzido pelo termo saltério. As cordas eram tocadas com os dedos (Isaías 5.12; 14.11; Amós 5.23; 6.5);
SALTÉRIO: Instrumento de cordas para acompanhar a voz (Salmo 33.2; 144.9). Era uma espécie de alaúde, semelhante à viola, mas de forma triangular ou trapezoidal;

kinor (3) 
É o mais antigo instrumento musical que se conhece, existindo já antes do dilúvio (Gênesis 4.1). A palavra hebraica kinnor, que se acha traduzida por harpa, significa provavelmente a lira. Os hebreus faziam uso dela, não só para as suas devoções, mas também nos seus passatempos. Nas suas primitivas formas parece ter sido feita de osso e da concha de tartaruga. Que a harpa era um instrumento leve na sua construção, claramente se vê no fato de ter Davi dançado enquanto tocava, assim como também fizeram os levitas
(1 Samuel 16.23; e 18.10). Não era usada em ocasiões de tristeza (Jó 30.31; Salmo 137.2).
"É importante ressaltar que Kinor no hebraico moderno significa violino, que nas formas que pode ser concebido desde o renascimento até a atualidade, não teria nenhum equivalente na antiguidade em questão."

tof (4) tambor, percussão 
TAMBORINS - Pequenos tambores. Ainda hoje as mulheres do Oriente dançam ao som do tamborim. (ver: Êxodo 15.20; 2 Samuel 6.5; Jó 21.12). "A profetiza Miriam, irmã de Aarão, pegou o tamborim. As mulheres todas a seguiram, dançando e tocando os tamborins. (Êxodo 15:20)"
No hebraico moderno tof é um pequeno tambor. Pode ser descrito como pandeiro,tamboril ou tamborim, embora, por exemplo, o tamborim das escolas de samba brasileiras seja tocado com uma espécie de baqueta e possivelmente distancie-se da idéia inerente às traduções bíblicas que utilizam o termo tamborim. O termo pandeiro nos moldes atuais tem uma conotação que indica a presença de platinelas inseridas
nas laterais do instrumento, o que aparentemente também não seria o caso bíblico. O tof foi extremamente popular e assumiu um papel chave entre os instrumentos usados em contexto religioso e em celebrações. A forma plural do termo é Tupim."

machol (5) dança
minim (6) de "men" que significa corda, instrumentos de cordas
ugav (7) flauta
"Cantareis como na noite em que se celebra a festa, tereis o coração alegre, como o que caminha ao som da flauta, que vai para a montanha do SENHOR, para o rochedo de Israel." (Isaías 30:29).
"A palavra Ugab em hebraico moderno significa órgão, e os órgãos conhecidos da antiguidade são os órgãos hidráulicos supostamente existentes na cultura egípcia, tendo sido utilizados também na cultura greco-romana."

tziltzelei shamá (8) teruá (9) os tziltzelei são címbalos
Instrumentos de percussão formados por dois pratos: "David e os chefes do exército puseram à parte, para o serviço, os filhos de Asaf, de Heman e de Iedutun, que profetizavam com cítaras, harpas e címbalos...."
(Crônicas 25:1)
"David e toda a casa de Israel dançavam com entusiasmo diante do SENHOR,
ao som de todos os instrumentos de cipreste, das cítaras, das harpas, dos tamborins, dos sistros e dos címbalos. (2 Samuel 6:5)"
shamá - som mais melódico, com frases musicais, para ouvir com atenção e meditar.
teruá- som mais retumbante, mais forte, como um grito ou clamor,(comparado ao um som de um clarim ou corno) som para despertar, acordar, avisar, som prolongado e profundo, estrondo que ecoa.
A Música Judaica (a partir do séc. X AC)

O povo hebreu, formado na Palestina a partir de tribos nômades de origem caldaica, assimilou a cultura dos povos semitas, concretamente dos que habitavam o Crescente Fértil. Foi a religião monoteísta, sobretudo, que demarcou este povo das tribos circundantes, sofrendo, embora, influências várias por contatos incessantes, livres ou forçados, com os povos vizinhos. É por isso que a sua cultura musical não se pode explicar sem a influência da música do Egito e dos povos mesopotâmicos.
Como acontece em outros níveis culturais, a música judaica é especialmente bem conhecida graças ao grande documento que é a Bíblia, embora outros documentos históricos ou arqueológicos, como é a Mishnah e os manuscritos do Mar Morto, sejam testemunhos da riquíssima vida musical do povo de Israel.
A Bíblia é um documento que transmite a tradição e a concepção musical dos Judeus. Nela se encontra efetivamente uma explicação para a origem da música, a descrição da sua prática no trabalho, no ócio e no prazer, na corte, como canto de amor e de escárnio, como canto elegíaco, etc. Mas é sobretudo no culto do Templo que a música atinge elevado grau de organização.

O Serviço Religioso no Templo e a Música 
O Templo foi projetado pelo Rei David, mas construído verdadeiramente pelo seu filho Salomão, desde 972 a 932 a. C.
O serviço religioso era executado por sacerdotes, levitas, cantores e porteiros. Cada grupo tinha as suas funções bem definidas sendo sustentados pelo povo na medida das suas necessidades. Os cantores viviam em bairros em torno de Jerusalém e eram dirigidos por um chefe. Um dos livros bíblicos fala de 288 cantores distribuídos por 24 classes, paralelamente ao número de classes sacerdotais, destacando-se o papel dos mestres, dos alunos e dos instrumentistas.

São numerosos os instrumentos citados na Bíblia para o uso do culto do Templo. O uso dos instrumentos reduzia-se quase exclusivamente ao acompanhamento das vozes, executando, embora, uma heterofonia característica: ornamentos, oitavas, etc. 
Solos instrumentais eram utilizados apenas em função simbólica: os címbalos, por exemplo, marcavam o início do canto dos levitas; as trombetas o início dos sacrifícios da manhã e ainda o fim de cada sessão de canto com o convite à prostração; finalmente, o shofar indicava o início do ano.
Podem organizar-se do seguinte modo:

INSTRUMENTOS DE CORDAS:
Nevel - harpa grande, originalmente sem caixa de ressonância,
Kinnor - harpa pequena ou lira, também sem caixa de ressonância. (Não é certo o número de cordas destes instrumentos, mas a verdade é que não havia culto sem eles)
INSTRUMENTOS DE SOPRO:
Shofar - uma espécie de corno, com sons pouco diferenciados; era utilizado como sinal e símbolo; tocado só por sacerdotes, era ainda envolvido em simbolismo mágico, é o único instrumento que persiste nas sinagogas.
Hasoserah - trombeta comprida utilizada também só por sacerdotes, dentro de uma função cultual ou social.
Ugav - flauta pequena.
Halil - tipo de gaita grande, correspondente ao monoaulos grego; som agudo e penetrante.
Alamoth - flauta dupla, correspondente ao instrumento egípcio, assírio e grego.
INSTRUMENTOS DE PERCUSSÃO:
Tof - pequeno tambor,
Selselim - címbalos,
Paamonim - campainhas.

Segundo a Mishnah, um comentário histórico à palavra inspirada da Bíblia, existia no Templo um verdadeiro conjunto orquestral permanente, constando dos seguintes instrumentos:
Nevei mínimo de 2, máximo de 6.
Kinnor mínimo de 9, máximo ilimitado.
Halil mínimo de 2, máximo de 12.
Selselim apenas um par

O mesmo documento para-bíblico refere que o coro era constituído por homens adultos em número ilimitado, mas no mínimo de 12, os quais tinham que estagiar durante um ano.

O grandioso Templo de Jerusalém foi destruído em 587 a.C.por Nabucodonozor e os seus habitantes deportados para a Babilônia. Durante o exílio muita coisa mudou na vida dos judeus. Se é verdade que os instrumentos não mais se ouviram, também é certo que o culto do Templo foi substituído por uma liturgia de tipo doméstico, aí aparecendo, ao que parece, a instituição da Sinagoga. Ora, se na sinagoga não é possível, por razões históricas e formais, a liturgia solene do Templo, a verdade é que o canto dos salmos e a proclamação da Palavra de D'us teve aí a sua continuidade. Com a exceção da música instrumental, pode-se dizer que toda a música vocal do Templo passou para a sinagoga, onde se cantavam os salmos, as preces e o texto sagrado.

No que se diz sobre o repertório usado no Templo, as aclamações da assembléia do gênero Amén, Hosana e Aleluia predominavam nos Salmos. Estes são poemas sacros de louvor, súplica ou aclamação cantados ao som de um instrumento de cordas. Como quase toda a poesia semítica, estes poemas contêm um número indefinido de versículos, cada um dos quais se divide ainda em duas partes ou hemistíquios. Normalmente eram compostos segundo as regras do paralelismo, por ex.:

«Bendiz minha alma ao Senhor, e todo o meu ser ao seu santo nome!»

O carácter musical de Salmos é atestado pelo cabeçalho de muitos deles, onde pode constar o autor, a dedicatória, o instrumento acompanhante e a forma de execução.

Ex: «Ao mestre da Música para os filhos de Coré. Uma canção sobre Alamoth (flauta dupla)».

De um ponto de vista prático, cada versículo era cantado segundo um esquema determinado (a fórmula salmódica, v.cap.III), mas suficientemente elástico para se poder adaptar a um número indefinido de silabas e palavras. Quanto à execução dos salmos, conheciam-se especialmente duas formas:

• a forma antifonal (antifonia): coro l - coro 2 - coro l - coro 2....

• a forma responsorial: solista - coro - solista - coro...
Porém, adotavam-se praticamente quatro modelos, segundo se pode concluir pelo próprio conteúdo de alguns exemplos:

Salmodia direta (Salmo 13)
Salmodia responsorial (Salmo 67)
Salmodia antifonal (Salmo 103, 20-22)
Salmodia litânica (Salmo 136)


Juntamente com os Salmos, aparecem dispersos na Bíblia outros poemas musicais, chamados precisamente Cânticos. Da mesma forma que os Salmos são por vezes intitulados Cânticos no próprio saltério, pode-se dizer que os cânticos se podem também classificar formalmente como Salmos: a sua estrutura poético-musical é idêntica.

No que se refere ao sistema musical judaica, os estudos mais recentes de musicólogos como Sachs, Lachmann e Idelsohn levam a pensar numa estrutura modal e tetracórdica.

(Texto cedido com gentil permissão dos professores e autores Maria José Borges e José Maria Pedrosa, da Escola de Musica do Conservatório Nacional de Lisboa)
Bibliografia

1.Revista Vértices No. 12 (2012)
Departamento de Letras Orientais da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo
E FEZ-SE MÚSICA: CANTO E INSTRUMENTOS NA BÍBLIA HEBRAICA
AND THERE WAS MUSIC: SINGING AND INSTRUMENTS IN THE HEBREW BIBLE Sonia Goussinsky1
2.A Torá Viva - O Pentateuco e as Haftarot - Anotado por Rabino Aryeh Kaplan- Editora Maayanot;
3.Tehilim - Salmos Tradutores: Adolph Wasserman & Chaim Szwertszarf; McKlausen Editora; RJ.
4.Dicionário Português Hebraico e Hebraico Português - Abraham Hatzamri e Shoshana More-Hatzamri - ed. Sêfer