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Jacó: o Grande Empreendedor

Ayin/Shin/Resh A riqueza de Jacó foi planejada pelo próprio. Obviamente, ele teve duas qualidades imprescindíveis para prosperar: generosi...

domingo, 20 de dezembro de 2009

Por que Abrão saiu de Ur? (conclusão)




No mundo antigo existiam leis que regiam a sociedade antes da elaboração das leis de Moisés.


No Museu do Louvre, em Paris, está uma estela (pedra vertical com inscrições) que contém uma das leis mais antigas da história do mundo antigo: o Código de Hamurabi. Embora não esteja em Bagdá, esse achado arqueológico é citado no Museu Virtual do Iraque pela sua importância e porque foi encontrado em escavações na cidade de Susã, antiga capital da Pérsia.


Havia uma lei que exerceu grande influência na vida dos patriarcas. A Lei de Primogenitura bem explicada no Nono Livro do Código de Manu, que foi elaborado com influências de leis mais antigas do Código de Hamurabi e do código hebreu, (Da Sucessão Hereditária, capítulo XX, artigos 521 a 636) dita: "Mas, se o mais velho, quando ele é eminentemente virtuoso, pode tomar posse do patrimônio em sua totalidade; e os outros irmãos devem viver sob sua tutela, como viviam sob a do pai."(art.522)..."o filho mais velho deve ter tudo." (art.523).

Terá teve três filhos: Abrão, Naor e Harã, que faleceu, mas deixou um filho, Lot. (Gênesis 11.27-30)

Abrão era o primogênito e desde pequeno foi preparado para administrar os bens da família. Mas após casar-se, descobriu que Sarai, seu grande amor, era estéril. Além do desapontamento de toda a expectativa sobre ele, havia uma ameaça ao patrimônio familiar, pois um "homem se torna pai e paga sua dívida para com seus antepassados."(art.523). Isso quer dizer que Abrão só poderia chefiar as posses de Terá se tivesse um filho.

Atos de amor na família de Abrão

1.Abrão recusou a opção de casar-se com outra mulher para gerar um filho porque amava muito a Sarai;

2. Terá amava muito a Abrão, pois além de respeitar a sua decisão de não se casar com outra mulher, abandonou Ur dos Caldeus em busca de riquezas para o seu primogênito, deixando o seu patrimônio com Naor, o segundo sucessor da herança por lei;

3. Terá amou a Lot, e não abandonou também o seu neto órfão, fadado a morrer pobre.

4. Abrão compreendeu perfeitamente a abnegação de seu pai, que na velhice saiu de sua terra para incentivá-lo a buscar novas formas de montar um patrimônio próprio;

5. Terá faleceu em Harã, lançando Abrão num túnel de profunda tristeza e desamparo.
(Gênesis 11.32)

O chamado de Abrão ocorreu após a morte de seu pai Terá (Gênesis 12.1), e além de agir como um consolo foi a substituição da promessa de um pai terreno pela Promessa de um Pai celestial,
D'us Único (Echad).

Profª. Gláucia Vilela

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Chanuká e o Milagre do Azeite



Chanuká 2009 / 5770
11-18 de dezembro, 2009 – 25 de Kislêv - 2 de Tevet




No dia 11 de dezembro de 2009 foi acessa a primeira vela da Festa das Luzes no mundo israelita. É tempo de Chanuká!


"Hanu" quer dizer "descansaram", se referindo aos Macabeus após as batalhas no "cá" , 25º dia de Kislev.


A história dessa festividade relembra os tempos em que Antíoco, rei da Síria, governou a Terra de Israel, após a morte de Alexandre, o Grande. Seu governo foi marcado pela exigência de que todos os judeus seguissem a cultura greco-helenista, proibindo-os de cultuarem ao D'us de Israel e forçando-os a idolatrarem os deuses pagãos.


Daniel, à beira do rio Hidequel, no exílio babilônico, foi avisado desses acontecimentos por um "homem" vestido de linho com lombos cingidos de ouro fino (Daniel 10.4).

O mundo do profeta estava passando por um período de transição do domínio Babilônico para o domínio Persa. O povo de Israel não sabia o que ocorreria com eles e muitos se desviaram das leis da Torah.

O que o D'us queria que Daniel soubesse é que Israel ainda sofreria com uma sucessão de guerras e disputas de reis no mundo, retratada no capítulo 11. Após o domínio persa, eles ainda passariam pelo governo grego, que seria repartido e disputado pelos reino do Norte(Síria) e Sul (Egito), através de líderes corruptos e maus.


Antíoco, foi um desses reis, que profanou o Templo reconstruído, proibiu "o sacrifício contínuo, estabelecendo a abominação desoladora" (Dn11.32).


A mensagem de esperança estava "no povo que conhece ao seu D'us" que "se tornará forte e fará proezas" (Dn11.32). Mas nessa época difícil, "os entendidos ensinarão a muitos", mas também passariam por grandes lutas "para serem provados, purificados, e embranquecidos, até ao fim do tempo..." (Dn11.35).

Em 165 AC, os Macabeus, corajosos lutadores oriundos de uma família de muita fé, os Chashmonaim, apesar do antagonismo esmagador, saíram vitoriosos de uma batalha travada contra o inimigo. O Templo Sagrado, violado pelos rituais greco-pagãos, foi novamente purificado e consagrado. A Menorá (candelabro) foi reacesa com o azeite puro de oliva, descoberto no Templo. A quantidade de azeite encontrada era suficiente para manter as luzes acessas por um dia, mas milagrosamente durou 8 dias, até que um novo óleo puro pudesse ser produzido e trazido ao Templo. Em lembrança destes milagres comemoramos Chanucá durante oito dias.


A imagem acima foi retirada do link http://www.myspace.com/111632217,
e retrata o costume de se comer sonhos em Chanuká, porque precisam de óleo/azeite para serem cozidos.


Profª. Gláucia Vilela


terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Por que Abrão saiu de Ur?


Hawkes, Nigel, Structures, Macmillan, New York, 1990. Newhouse, E. L., ed., The Builders, The National Geographic Society, Washington, D.C., 1992

As fotos acima são de um zigurate ao deus da lua Nanna, encontrado na região da antiga Ur.

Ur era considerada umas das cidades mais prósperas e desenvolvidas da Suméria.
"Se a cidade que D'us disse a Abrão para deixar era grande, o lar que ele deixou prá trás parece ter sido menos que religioso. Poderia supor que Terá fosse um homem crente, que educou seu filho, Abrão, para crer num único D'us, diferente das pessoas de seus dias, mas isto não foi bem assim. Josué, em suas palavras de despedida no final de sua vida, nos dá uma compreensão melhor do caráter de Terá:
Então, disse Josué a todo o povo: Assim diz o Senhor, D'us de Israel: Antigamente, vossos pais, Terá, pai de Abraão e de Naor, habitaram dalém do Eufrates e serviram a outros deuses. (Josué 24:2)
Podemos então dizer que Terá foi idólatra, tal como aqueles de seus dias. Não é de se estranhar que D'us ordenasse a Abrão para deixar a casa de seus pais (Gênesis 12:1)."

E por que Abrão abandonou os deuses de Ur para ouvir, crer e obedecer a voz do D'us Único ("Echad")?
Recomendo antes, para melhor compreensão sobre a terra natal de Abrão , fazer uma visita virtual ao Museu do Iraque :
(ligue o som)

Uma boa interpretação da mensagem bíblica inclui a compreensão do contexto histórico e econômico da época em que os pais da fé viveram.
Para descobrir a resposta de nossa pergunta, vou destacar dois achados arqueológicos de Ur e cidades vizinhas, por isso, faça o seguinte roteiro no museu:
1.Na página central dos Halls entre no Hall Pré-Histórico. Encontramos à esquerda a estatueta de uma figura feminina. À ela está associado um vídeo que fala sobre a arquitetura das casas na época e sua vinculação à religiosidade. Essa imagem foi encontrada em Ur (veja descrição, terceira estatueta ao fundo) e é uma espécie de amuleto, representando uma enfermeira-deusa com um bebê no colo. Os riscos em seu ventre enaltecem os seus poderes na área da fertilidade.

2. Volte ao hall central e entre no Hall Sumeriano. Ao fundo vemos um mapa e a primeira obra à esquerda é um frizo encontrado em um santuário de Tell al-Ubaid, zona urbanizada por reis da dinastia de Ur. Ele retrata homens numa espécie de fábrica de iogurte ou queijo. Naquela época o leite e os bezerros, representados à direita da escultura, eram símbolos de fecundidade e bençãos na família.
Criado em um ambiente em que se cultuava tanto aos deuses da fertilidade, Abrão tinha um grande problema, Sarai, a mulher que ele tanto amava, era estéril.
A religiosidade de Ur passou a oprimir Abrão, daí a sua primeira decepção com os deuses de sua terra natal.
Essa é primeira pista para responder a nossa pergunta. A segunda dica, é a seguinte: Abrão, era primogênito de Terá, e este tinha terras e propriedades em Ur. Naor, segundo filho de Terá, permaneceu na cidade. (Gênesis 11.26-31).

Com a resposta, veremos um linda história de amor entre pai e filho, e repetidos atos de compaixão e solidariedade entre os membros da família de Abrão.
Boa pesquisa!
Sobre a cidade de Ur, visite também o link:
(continua) Gláucia Vilela